10 de jun. de 2020

Resenha: Garotas de Vidro — Frágil como vidro

 

Garotas de Vidro - Laurie Halse Anderson

Avaliação: ★★★(5/5)
Classificação: Jovem Adulto
Gênero: Fantasia, Romance

Alguns livros nos entretêm. Outros nos transformam. Garotas de Vidro é um daqueles livros que machucam, sufocam e permanecem na memória muito depois da última página.

A obra nos coloca dentro da mente de Lia, uma jovem de 18 anos que luta contra a anorexia e carrega cicatrizes emocionais profundas. Narrado em primeira pessoa, o livro nos faz experimentar seus pensamentos obsessivos, medos e inseguranças de forma quase claustrofóbica. Não é apenas uma história sobre transtornos alimentares — é uma narrativa sobre culpa, luto e a difícil busca por sobrevivência.

No passado, Lia e sua melhor amiga, Cassie, fizeram um pacto silencioso: serem magras a qualquer custo. Mas essa busca por um ideal impossível levou uma delas à autodestruição. Cassie morre sozinha em um motel, deixando para trás 33 chamadas não atendidas para Lia na noite de sua morte. A culpa passa a assombrá-la diariamente, mesmo após a amizade entre as duas ter terminado de forma dolorosa.

A vida familiar de Lia está longe de ser estável. Sua relação com os pais é marcada por distanciamento, cobranças e incompreensões. A única exceção é Emma, sua meia-irmã, por quem Lia sente um amor genuíno e um forte instinto de proteção. Em meio ao caos emocional, Emma representa um dos poucos vínculos que ainda a mantêm conectada à realidade.

O transtorno alimentar de Lia é retratado de maneira brutal e extremamente realista. Ela conta calorias obsessivamente, evita comida e vive em constante guerra contra o próprio corpo. A leitura é desesperadora porque o leitor acompanha cada pensamento autodestrutivo da protagonista. Quando é obrigada a comer, sentimos sua angústia quase fisicamente. Lia se enxerga como "suja, gorda, feia e perdida", ainda que sua percepção esteja completamente distorcida pela doença.

E como se tudo isso não bastasse, surge Elijah, um rapaz misterioso que afirma ter um recado de Cassie para Lia. A partir desse momento, a narrativa ganha contornos quase sobrenaturais, intensificando a sensação de desconforto e tensão. Confesso que, em vários momentos, fiquei inquieta e desconfiada do que realmente estava acontecendo.

Lia é uma protagonista frágil, imperfeita e profundamente humana. Ela culpa a si mesma e aos outros por sua dor, enquanto tenta sobreviver a uma batalha que acontece principalmente dentro de sua mente. A autora retrata com sensibilidade como pessoas com anorexia e bulimia frequentemente não conseguem enxergar a própria realidade física, tornando esses transtornos ainda mais devastadores.

Um dos maiores méritos de Garotas de Vidro é sua importância social. Este é um livro que deveria ser debatido em escolas, entre alunos, professores e pais. A história abre espaço para conversas necessárias sobre saúde mental, autoestima, transtornos alimentares e relações familiares. Muitas vezes, comportamentos considerados "normais" escondem pedidos silenciosos de ajuda.

Além disso, a obra reforça algo essencial: amor, afeto e acolhimento fazem diferença. Crianças e adolescentes precisam ser vistos, ouvidos e amados. Nem todo sofrimento é visível, e prestar atenção aos sinais pode salvar vidas.

Quanto à escrita, Laurie Halse Anderson utiliza recursos gráficos como palavras riscadas e repetições para representar o estado mental fragmentado de Lia. Esse estilo pode lembrar obras como Estilhaça-me, mas aqui ele possui uma função narrativa muito específica: colocar o leitor dentro da mente da protagonista. Em alguns momentos, especialmente no início, a narrativa pode parecer confusa — e acredito que esse seja o único ponto negativo da obra. Ainda assim, essa desorientação também reflete o estado psicológico da personagem.

Garotas de Vidro não é uma leitura fácil. É dolorosa, pesada e, por vezes, sufocante. Mas justamente por isso é tão necessária. Um livro sensível e devastador, que expõe a fragilidade humana e nos lembra da importância de enxergar a dor do outro antes que seja tarde demais.

Veredito: Uma leitura impactante, necessária e emocionalmente avassaladora. Cinco estrelas sem hesitação.

Resenha: A Conquista - Elle Kennedy

Avaliação: ★★★☆☆ (3,0)
Classificação: 18+
Gênero: Romance, New Adult, Contemporâneo
Ano: 2016 / 360 páginas (aprox.)
Editora: Paralela

O que acontece quando duas pessoas completamente diferentes são obrigadas a enfrentar juntas a maior responsabilidade de suas vidas?

Chegar ao último volume de uma série querida sempre traz sentimentos conflitantes. Existe a expectativa de descobrir o destino dos personagens que acompanhamos por tantos livros, mas também aquela tristeza inevitável de precisar se despedir deles. Em A Conquista, último livro da série Off-Campus, Elle Kennedy entrega a história de um casal que, à primeira vista, parecia improvável até mesmo para os leitores mais atentos.

Após os acontecimentos de O Jogo, descobrimos que John Tucker, o integrante mais gentil, equilibrado e responsável do grupo de amigos da Briar, está prestes a se tornar pai. A revelação por si só já é surpreendente. Mais inesperado ainda é descobrir que a mãe do bebê é Sabrina James, uma personagem que anteriormente não conquistou exatamente a simpatia de todos.

Entre responsabilidades inesperadas, diferenças de personalidade e escolhas difíceis, a autora constrói uma narrativa que mistura romance, amadurecimento e os desafios da vida adulta.

Resenha: O Jogo - Elle Kennedy

 Avaliação: ★★★☆☆ (3.0)
Classificação: 18+
Gênero: Romance, New Adult, Comédia Romântica
Ano: 2015 / Páginas: 
Editora: Paralela

Será que o maior conquistador do campus consegue sobreviver quando finalmente se apaixona de verdade?

Depois de acompanhar Garrett em O Acordo e Logan em O Erro, chegou a vez de Dean Di-Laurentis assumir o protagonismo da série Off-Campus. Conhecido por sua fama de mulherengo incorrigível, Dean sempre pareceu confortável com sua reputação e completamente satisfeito com uma vida sem compromissos. Mas, como todo romance gosta de provar, basta aparecer a pessoa certa para colocar todas as certezas de alguém à prova.

Em O Jogo, Elle Kennedy aposta em um dos casais mais improváveis da série: Dean, o rei das aventuras casuais, e Allie Hayes, uma jovem que acredita em relacionamentos sérios e estabilidade emocional. O resultado é uma história divertida, sensual e repleta de conflitos sobre amor, compromisso e amadurecimento.

Resenha: O Acordo - Elle kennedy

 Avaliação: ★★★☆☆ (3.0)
Classificação: 18+
Gênero: Romance, New Adult, Comédia Romântica
Ano: 2015 / Páginas: 
Editora: Paralela

Afinal, quantos clichês um romance universitário consegue reunir antes de conquistar o leitor?

O Acordo, de Elle Kennedy, é aquele tipo de livro que não esconde suas intenções: entrega uma história repleta de clichês conhecidos, personagens carismáticos e uma dinâmica de relacionamento que já vimos inúmeras vezes, mas que ainda consegue divertir quando executada com competência. Entre festas universitárias, partidas de hóquei, dramas familiares e um namoro de mentira, a autora constrói uma leitura leve, descontraída e voltada para quem busca entretenimento sem grandes surpresas.

O conflito central gira em torno de Hannah Wells, uma estudante dedicada que precisa lidar com inseguranças do passado enquanto tenta conquistar o garoto por quem tem interesse. Do outro lado está Garrett Graham, capitão do time de hóquei da universidade, popular, confiante e desesperado para melhorar suas notas e manter sua posição no time.

Quando Garrett descobre que Hannah foi a única aluna a obter uma excelente nota em Ética Filosófica, ele insiste para que ela lhe dê aulas particulares. Como Hannah se recusa repetidamente, Garrett encontra uma forma de convencê-la: fingir ser seu namorado para ajudá-la a chamar a atenção de seu crush. Em troca, ela o ajudará academicamente.

A narrativa segue uma estrutura linear e bastante tradicional, sem grandes experimentações narrativas. Os capítulos alternam entre os pontos de vista de Hannah e Garrett, permitindo ao leitor acompanhar os sentimentos, inseguranças e conflitos de ambos os protagonistas. O desenvolvimento possui começo, meio e fim bem definidos, e embora seja relativamente previsível, a química entre os personagens mantém o interesse durante boa parte da leitura.

As reviravoltas não são exatamente surpreendentes, especialmente para leitores acostumados ao gênero New Adult, mas existem momentos de tensão emocional e conflitos pessoais que acrescentam profundidade à trama romântica.

Hannah Wells é uma protagonista inteligente, determinada e talentosa na música. Apesar de sua personalidade forte, carrega traumas que influenciam sua autoestima e seus relacionamentos. Seu principal desejo é superar suas inseguranças e finalmente se permitir viver novas experiências.

Garrett Graham, por sua vez, inicialmente parece apenas o típico atleta popular e mulherengo. No entanto, conforme a narrativa avança, descobrimos camadas mais complexas de sua personalidade. Suas dificuldades familiares, especialmente relacionadas ao pai, revelam vulnerabilidades que vão além da imagem superficial do astro universitário.

O desenvolvimento da amizade entre os dois funciona melhor do que o próprio romance em diversos momentos. Antes de se apaixonarem, eles aprendem a confiar um no outro, criando uma conexão que torna o relacionamento mais convincente.

O hóquei não esta lá por acaso, possio relevância dentro da trama, ajudando a construir a identidade de Garrett e oferecendo um diferencial em relação a outros romances universitários. Ainda assim, o esporte funciona mais como elemento contextual do que como foco central da narrativa.

Apesar da aparência de romance leve, O Acordo aborda temas mais delicados do que se imagina inicialmente.

A obra discute autoestima, superação de traumas, relacionamentos abusivos, pressão familiar, amizade, confiança e amadurecimento emocional. Hannah e Garrett precisam enfrentar feridas do passado para construir um relacionamento saudável no presente.

A autora não trabalha essas questões de maneira extremamente profunda ou filosófica, mas consegue inseri-las de forma acessível dentro da narrativa romântica. O resultado é um equilíbrio entre momentos divertidos, cenas emocionais e situações que incentivam reflexões sobre respeito, consentimento e apoio emocional.

Ao final da leitura, o amor não precisa transformar completamente quem somos; muitas vezes ele apenas nos ajuda a enxergar nossa própria força.

E então, vale a pena?

O Acordo não reinventa o romance universitário nem apresenta uma proposta revolucionária. O namoro falso, o atleta popular, a garota estudiosa e a aproximação gradual são elementos amplamente conhecidos pelos leitores do gênero. Ainda assim, a obra se destaca pela química genuína entre os protagonistas e pela forma como desenvolve suas vulnerabilidades emocionais.

A leitura é rápida, dinâmica e envolvente. O ritmo raramente desacelera, e a alternância de narradores ajuda a manter o interesse constante. Embora alguns conflitos sejam previsíveis e certas decisões dos personagens possam causar irritação ocasional, a narrativa consegue equilibrar humor, romance, drama e desenvolvimento emocional.

Em termos emocionais, o livro funciona principalmente pela construção da amizade entre Hannah e Garrett. São os momentos de cumplicidade, apoio mútuo e crescimento pessoal que tornam a história mais memorável do que a própria trama romântica.

Para leitores que apreciam romances New Adult recheados de química, humor, cenas sensuais e personagens carismáticos, O Acordo certamente oferece uma experiência agradável. Já quem procura narrativas mais originais ou uma abordagem mais profunda dos temas apresentados talvez encontre uma leitura divertida, mas relativamente convencional.

No meu caso, foi uma leitura agradável e divertida, mas que não conseguiu se destacar o suficiente entre tantos romances do mesmo gênero. Os protagonistas possuem ótima química e momentos cativantes, porém a previsibilidade da trama e alguns clichês excessivamente familiares impediram um envolvimento maior. Ainda assim, é uma boa indicação para quem deseja um romance leve, divertido e sem grandes complicações.

Resenha: O Erro - Elle Kennedy

 Avaliação: ★★★★☆ (4.5)
Classificação: 18+
Gênero: Romance, New Adult, Comédia Romântica
Ano: 2015 / Páginas: 
Editora: Paralela

E se o maior erro da sua vida fosse perder justamente a pessoa que poderia mudá-la para sempre?

Depois do enorme sucesso de O Acordo, Elle Kennedy retorna à Universidade Briar para contar a história de um dos personagens mais queridos do primeiro livro. Embora faça parte da série Off-Campus, O Erro pode ser lido de forma independente, mas a experiência se torna ainda mais rica para quem já conhece os amigos e o universo apresentados anteriormente.

Nesta sequência, acompanhamos John Logan, o atleta popular que parecia ter tudo sob controle, mas que esconde inseguranças e medos muito maiores do que demonstra. Ao seu lado está Grace Ivers, uma caloura inteligente, divertida e determinada, que acaba se tornando muito mais do que apenas uma paixão passageira. Entre encontros inesperados, sentimentos mal resolvidos e uma dolorosa quebra de confiança, a narrativa entrega um romance divertido, emocionante e surpreendentemente maduro.

9 de jun. de 2020

Resenha: Corte de Asas e Ruína Sarah J. Maas

Corte de Asas e Ruína – Sarah J. Maas

Corte de Espinhos e Rosas (livro 3)
Avaliação: ★★★☆☆ (3/5)
Classificação: Adulto +18
Gênero: Fantasia, Romance, Alta Ficção
Ano: 2017 / Páginas: 687
Editora: Galera Record

Até onde você iria para proteger sua casa, sua família e o amor da sua vida?

Neste terceiro volume, a guerra contra Hybern domina a narrativa. Com o poderoso Calderão em mãos, o inimigo ameaça destruir Prythian, e Feyre retorna à Corte Primaveril infiltrada, fingindo lealdade a Tamlin para reunir informações.

 A estrutura do livro é marcada por um início mais lento e político, seguido por um clímax explosivo que envolve alianças improváveis, traições e batalhas épicas. Apesar de ser uma trama grandiosa, muitos leitores consideram que os primeiros 30 capítulos arrastam um pouco antes do ritmo engrenar.

Narrado em primeira pessoa por Feyre, o livro aprofunda a visão íntima da protagonista sobre a guerra, seus medos e suas esperanças. A escolha reforça a ligação emocional com o leitor, mas também limita a amplitude da narrativa em algumas batalhas.

 Universo e Ambientação

A autora expande Prythian, mostrando diferentes Cortes e como cada uma reage à ameaça de Hybern. O contraste entre a beleza de Velaris e a brutalidade da guerra fortalece a atmosfera. As descrições das batalhas são intensas, ainda que às vezes confusas pelo excesso de elementos acontecendo ao mesmo tempo.

Personagens

Feyre, agora Grã-Senhora, assume papel ativo como estrategista e guerreira, amadurecendo ao enfrentar dilemas políticos e emocionais. Rhysand continua sendo o parceiro devoto e comandante carismático, disposto a qualquer sacrifício por sua família escolhida.

Nesta e Elain, transformadas pelo Calderão, revelam novos poderes e dilemas pessoais, ganhando relevância no enredo.

Lucien deixa a Corte Primaveril e prova sua lealdade em momentos cruciais. Azriel e Cassian, guerreiros illyrianos que representam força, honra e laços fraternos. Amren, peça-chave na decifração de feitiços e mistérios do Calderão.

A caracterização é consistente, embora alguns personagens coadjuvantes ganhem menos profundidade diante da grandiosidade do conflito.

Temas e Mensagens

O livro aborda temas como: o peso do poder e da liderança, sacrifício em nome da família e do povo, o impacto da guerra nas relações pessoais, perdão, confiança e lealdade. A obra transmite uma mensagem de que coragem não significa ausência de medo, mas a escolha de lutar apesar dele.

Estilo de Escrita

Sarah J. Maas mantém seu estilo envolvente, repleto de metáforas, diálogos intensos e ritmo emocional. No entanto, o excesso de descrições nas primeiras partes torna a narrativa um pouco cansativa. O clímax, por outro lado, é dinâmico e cinematográfico.

Emoções e Impacto

O impacto emocional é grande, especialmente nas cenas finais, que misturam sacrifício, perdas e vitórias. O livro provoca lágrimas, tensão e esperança, mas também frustração em alguns trechos longos que poderiam ser mais diretos.

Veredito!

Apesar de ser grandioso e emocionante, Corte de Asas e Ruína não foi meu favorito. O início arrastado me cansou, mesmo que o desfecho tenha compensado com batalhas épicas e revelações impactantes. Chorei, vibrei e desejei estar em Velaris, mas também senti que a narrativa poderia ter sido mais equilibrada. Ainda assim, é um fechamento épico para a primeira fase da saga, e essencial para quem ama os personagens.

Corte de Asas e Ruína é um livro épico, deixando cicatrizes emocionais no leitor. Não é perfeito, mas entrega emoção, romance e guerra em escala grandiosa.

Voltado para leitores de fantasia romântica que já estão envolvidos com a saga. O objetivo é entregar a grande guerra prometida desde o início e consolidar os personagens principais. Cumpre esse papel, embora não agrade a quem espera ritmo consistente.

Com a leitura finalizada desejei poder entrar nesse mundo e nunca mais sair. Gostaria de ter amigos que pudesse o chamar de família, um parceiro como Rhys, um lugar maravilhoso como Velaris para passar a eternidade. Queria ter o que Feyre conquistou em sua jornada mesmo as partes ruins, porque sei que no final valeria a pena.

Só espero não entrar em outra ressaca literária…


Mais Recente

Estilhaça-me vai ganhar adaptação pela Warner Bros. — e Tahereh Mafi promete honrar os fãs

Os fãs de Estilhaça-me receberam uma notícia histórica: a Warner Bros. Pictures adquiriu os direitos cinematográficos da famosa série dis...

Mais Visualizadas