Sarah J. Maas revela segredos sobre ACOTAR, Trono de Vidro e seus próximos livros
A autora best-seller Sarah J. Maas participou recentemente de uma longa entrevista no podcast Call Her Daddy apresentado por Alex Cooper, onde falou abertamente sobre sua carreira, seu processo criativo e o futuro de seus universos literários.
Conhecida por séries como A Court of Thorns and Roses, Throne of Glass e Crescent City, a autora abordou desde teorias de fãs até novos livros que estão a caminho.
A conversa trouxe revelações importantes para leitores e também reflexões sobre escrita, romance na fantasia e o impacto de suas histórias.
A adaptação de ACOTAR para TV
Durante a entrevista, a autora também comentou sobre o cancelamento da adaptação de ACOTAR que estava sendo desenvolvida.
Sarah revelou que recuperou os direitos da obra e quer participar diretamente de qualquer adaptação futura.
Agora eu tenho os direitos de tudo de volta. Recuperar os direitos das minhas obras foi uma parte muito importante da minha jornada nos últimos anos. Talvez em algum momento em breve eu fale mais sobre isso. Mas agora meu foco são os livros.
Segundo ela, adaptações devem respeitar a essência dos livros e não ser alteradas apenas para agradar determinados públicos.
Mas eu vejo qualquer adaptação para TV ou cinema como outra faceta dos mundos que eu criei. E é algo que eu quero liderar. Eu quero entender tudo sobre como essas produções são feitas. Eu sou meio controladora nesse sentido (risos), mas é porque eu amo filmes e séries. Quero fazer parte disso.
E quero ver tudo adaptado da forma que eu imagino e da forma que sei que os fãs querem. Eu nunca quero ouvir algo como: “Precisamos mudar isso para agradar determinado público”. Eu penso: não, não é assim que se faz arte. Não é assim que eu crio minhas histórias. Então quando isso acontecer, vai ser comigo totalmente envolvida no processo. Eu vou me dedicar completamente para fazer dar certo.
Vou estar lá vendo tudo: design, cenário, figurino. Mas também o som. Porque a música é uma parte muito importante para mim. Então a trilha sonora vai ser um grande projeto.
Ela ainda afirmou que considera adaptações audiovisuais uma extensão de seu legado como autora. A nossa diva não se venda! Seu posicionamento foi firme.
O início da carreira literária
Durante a entrevista, Sarah J. Maas contou que começou a escrever ainda muito jovem. A primeira versão da história que viria a se tornar Trono de Vidro foi escrita quando ela tinha apenas 16 anos.
Mais tarde, 10 anos depois, a história foi reescrita e foi publicada oficialmente como o livro Trono de Vidro, dando início a uma saga que conquistaria leitores ao redor do mundo.
Segundo a autora, o sucesso inicial aconteceu porque ela sempre escreveu as histórias que gostaria de ler.
“Eu queria criar protagonistas fortes, mundos ricos e romances intensos dentro de aventuras épicas.”
MaasVerso
A autora explica que as conexões entre suas três grandes séries (Trono de Vidro, Corte de Espinhos e Rosas e Cidade da Lua Crescente) surgiram organicamente durante o período inicial de sua carreira, enquanto esperava por respostas de agentes e editoras.
Ela tinha muito tempo livre e, por amar escrever, dedicava-se a criar histórias sem a intenção inicial de publicá-las. Corte de Espinhos e Rosas simplesmente "jorrou" dela em 2008/2009, e Cidade da Lua Crescente começou como um projeto de paixão para relaxar e se divertir, escrevendo algo diferente (com mais liberdade, incluindo linguagem adulta) quando se cansava dos outros mundos.
Portanto, a visão da conexão não veio de um grande plano mestre, mas sim do fato de ela ter passado anos desenvolvendo esses mundos paralelamente, por puro prazer e durante um período de muita criatividade e tempo livre no começo da carreira.
Personagens Femininas
A autora explica que sua personagem Aelin — de Trono de Vidro — não foi uma construção planejada, mas sim alguém que surgiu completamente formada, como se já existisse e ela apenas a seguisse. A jornada da personagem acabou refletindo, de forma natural, o próprio crescimento e as experiências pessoais da autora — não como uma autobiografia, mas como um espelho emocional.
O grande propósito de Aelin, segundo ela, foi representar algo raro na literatura fantástica: uma mulher que não precisava ser agradável. A Sarah queria retratar uma personagem que pudesse sentir raiva, tomar decisões ruins, aprender com elas e ter múltiplos relacionamentos — algo mais próximo da vida real. A ideia era permitir que Aelin fosse imperfeita, intensa e livre, sem a preocupação de agradar quem lesse.
Essa abordagem se repetiu em outras personagens, como Manon, levada a um nível ainda mais extremo de liberdade e selvageria.
Ela foi uma versão ainda mais extrema disso. Eu pensei: “Ela simplesmente vai aparecer com suas garras e fazer o que quiser.”
O debate sobre romantasy e cenas explícitas nos livros
Outro ponto importante da entrevista foi a defesa que Sarah J. Maas fez das cenas românticas e explícitas em suas obras.
A autora afirmou que muitas críticas ao conteúdo sexual de seus livros vêm de um preconceito contra histórias escritas por mulheres.
Segundo ela, essas cenas não existem apenas para chocar ou provocar, mas fazem parte da construção emocional e narrativa dos personagens. Ela critica a tendência de reduzirem seu trabalho a "apenas pornografia" ou "coisa sexy", ignorando a profundidade emocional e o impacto real que suas histórias têm na vida dos leitores.
Maas também destacou que leitores frequentemente se conectam profundamente com seus livros, encontrando apoio emocional nas histórias e nos personagens.
Ela destaca que, embora ame escrever cenas sensuais e tenha orgulho delas, o que seus fãs mais compartilham com ela são momentos de transformação pessoal — como mulheres que deixaram relacionamentos abusivos após se identificarem com personagens como Feyre em A Court of Mist and Fury.
A autora também defende que o sexo na literatura, quando bem integrado à narrativa, está diretamente ligado à jornada emocional dos personagens, como no caso de Nesta e Cassian em Silver Flames. Por fim, ela denuncia o preconceito contra obras que trazem prazer e alegria para o público feminino, apontando que, sempre que uma mulher escreve sobre sexo, todo o resto de seu trabalho é ignorado ou desvalorizado — mesmo quando os livros abordam temas profundos como trauma, cura e empoderamento.
A experiência Gestacional da Sarah e como isso impactou seus livros
Sarah contou que a trama envolvendo a gravidez de Feyre em A Court of Silver Flames foi profundamente influenciada por suas próprias experiências traumáticas durante a gestação e o parto. Ela compartilha detalhes íntimos e dolorosos: a pressão sobre o peso que desencadeou velhos problemas alimentares, o medo de hospitais, a solidão durante uma cesárea de emergência onde não permitiram a entrada de seu marido, a frieza da equipe médica, e um corte mal feito por um médico "preguiçoso" que afetou sua recuperação e futuras gestações.
Ao transferir esses sentimentos para a personagem, ela não buscou um relato literal, mas sim uma forma de processar o trauma, o medo constante e a sensação de vulnerabilidade que marcaram suas gravidez. A narrativa de Feyre, incluindo o medo de Rhysand por sua segurança, reflete seu próprio receio de passar por tudo novamente.
A autora também defende a importância de incluir a maternidade na literatura fantástica como um tema legítimo e poderoso. Para ela, a jornada de uma personagem não precisa terminar no "felizes para sempre" tradicional — é possível explorar o que vem depois, incluindo os desafios, os medos e a força que a maternidade pode trazer. Ela reforça que ser mãe a tornou mais forte e que histórias sobre isso não devem ser vistas como fraqueza, mas como parte da experiência real de muitas mulheres.
Independentemente de como você constrói sua família. Isso não é fraqueza. Eu me tornei uma pessoa mais forte depois de virar mãe. Aprendi a me defender muito mais.
Ser mãe me ensinou coisas que eu nunca teria aprendido antes. As mães são algumas das pessoas mais incríveis do mundo. E eu aprendi muito com essa experiência. Isso é uma força e uma sabedoria que devem ser compartilhadas.
A criação de Rhysand
Rhys não foi planejado. Ele simplesmente apareceu na cena enquanto ela escrevia o primeiro livro de ACOTAR. Quando Feyre conhece Tamlin, Sarah pensou: "Esse cara é atraente". Mas quando Rhys surgiu, ela percebeu: "Ah não… não é esse cara… é esse cara." Quando o primeiro livro saiu, fãs diziam amar Tamlin, e Sarah pensava: "Que bom para você… e sinto muito."
E não, ela não revelou o sobrenome dele, mas sabemos que é Rhysand da Silva.
Tamlin ainda pode ter um arco de redenção?
É complicado, porque muitas mulheres — incluindo amigas próximas de Sarah — viram seus próprios relacionamentos abusivos refletidos em Tamlin.
Uma das melhores amigas de Sarah, sobrevivente de abuso, se refere ao ex como "Tamlin". Sarah conversou com ela para saber se escrever mais sobre Tamlin seria uma traição.
Parte de Sarah pensa: "ele pode queimar no inferno para sempre". Mas como escritora, ela também se pergunta: "qual é a história ali? O que existe para explorar?" — não para justificar, mas para explorar.
É uma das decisões mais difíceis para ela como escritora.
O sistema de “mates” explicado pela autora
Uma das perguntas mais aguardadas pelos fãs foi sobre o famoso sistema de “mates” no universo de ACOTAR.
Sarah explicou que o vínculo de mates funciona como uma espécie de ligação destinada, algo semelhante a uma alma gêmea, mas não garante necessariamente amor ou compatibilidade.
Ela comentou que existem: mates verdadeiramente compatíveis e mates formados apenas por um fator biológico. Como exemplo, ela mencionou que os pais de Rhysand eram mates, mas não tinham um relacionamento saudável.
Essa explicação ajuda a entender muitos conflitos românticos dentro da série. O que nos leva A Pergunta: Elaine rejeitando o vínculo com Lucien?
Elaine tem muito trauma. Imagine ser transformada em uma criatura completamente diferente, com uma vida que pode durar séculos. E, de repente, você está ligada a um estranho. Alguém que participou do processo que mudou sua vida. É muita coisa para processar. Então explorar o livre-arbítrio dentro de um vínculo predestinado é algo que acho muito interessante. E como escritora eu adoro perguntas como: “E se você estiver ligado a alguém… mas não quiser estar?”
[Meu coração parou por um mile segundo com essa resposta.]
O anúncio que deixou os fãs em choque: novos livros de ACOTAR
O post que incendiou a internet tinha uma seta apontando para frente, com "ACOTAR 6".
Ela estava trabalhando nele há muito tempo e precisava encontrar a história certa e estar no estado mental adequado para escrevê-la. No verão, em Montana, tudo clicou e a história saiu muito rápido, contou Sarah na entrevista.
Segundo a autora, dois novos volumes da saga serão lançados:
ACOTAR 6 - Parte 1 será publicado em outubro de 2026
ACOTAR 6 - Parte 2 e 3 será publicado em janeiro de 2027
As duas obras fazem parte de uma mesma grande história, que acabou sendo dividida por causa do tamanho da narrativa. Sarah enfatiza: isso não é uma trilogia. Os arcos narrativos não são fechados como em uma trilogia tradicional. É como pegar um livro seu e expandir todas as partes — ficaria gigantesco.
Perguntas rápidas (rapid fire)
Pergunta: O que Lorcan fez?
Sarah: Alguém me explicou essa teoria alguns meses atrás… Eu não sei. Eu não sabia como me sentir em relação a isso naquela época. Não sei como me sentir em relação a isso agora... talvez um dia eu faça um conteúdo extra ou presente de Natal para vocês.
Pergunta: Onde está Vaughn?
Sarah: Sabe, isso é algo que eu penso com frequência. Bastante.
Pergunta: A estabilização é igual ou semelhante à queda?
Sem resposta.
Pergunta: Por que Aelin teve que perder seus poderes?
Sarah: Eu realmente lutei com essa decisão. Não gosto da ideia de alguém ter que abrir mão de algo que aprendeu a amar. Mas também acho que decisões enormes exigem algum tipo de sacrifício. Isso torna o final mais significativo. E também abre uma nova jornada para a personagem.
Pergunta: Alguns fãs acham frustrante que personagens femininas percam poderes enquanto personagens masculinos não. O que você acha disso?
Sarah: Esses livros são sobre mulheres encontrando seu poder. Mas perder magia não significa perder força. Aelin e Nesta continuam sendo incríveis. Perder magia não te torna menos heroína.
Pergunta: Vamos ver personagens de Throne of Glass novamente?
Sarah: Eu penso neles o tempo todo… então quem sabe.
Pergunta: Onde Manon está agora?
Sarah: Honestamente? Ela deveria estar fazendo terapia depois de tudo que passou.
Pergunta: Onde Bryaxis está/ Para onde foi?
Sarah: Para onde você acha que ELA foi? P que você acha que ELA esta aprontando? Quer dizer, para onde o medo vai?
Pergunta: Quem é a mamãe das Archeron? Ela é descendente das bruxas Dentes de Ferro?
Sem resposta.
Pergunta: Bryce e Hunt são o casal endgame de Crescent City?
Sarah: Sim.
Pergunta: Como o Livro do Sobro e The Walking Dead foram parar na livraria de Jesiba?
Sarah: Não sei, você terá que aguardar por respostas.
Pergunta: Existem teorias que Rhs e Ruhn são parentes. Você pode confirmar?
Sarah: [incredula].
Pergunta: Quem ou o que é Fury Axtar? Será que ela é a mercenária que Feyre encontra em acotar?
Sarah: Sim.
Pergunta: Quem venceria uma luta: Bryce, Aelin, Feyre ou Manon?
Sarah: Nenhuma delas lutaria. Elas diriam: “Isso é ridículo. Vamos nos apoiar e depois comer um In-N-Out Burger juntas.”
O impacto de Sarah J. Maas na fantasia moderna
Hoje, Sarah J. Maas é uma das autoras mais influentes da fantasia contemporânea.
Seus livros já venderam dezenas de milhões de cópias ao redor do mundo e ajudaram a popularizar o subgênero conhecido como romantasy, que mistura fantasia épica com romance intenso.
Seus universos interligados também criaram uma comunidade gigantesca de leitores que analisam teorias, pistas e conexões entre as séries.