5 de mar. de 2026

Sarah J. Maas revela bastidores de ACOTAR e fala sobre carreira em entrevista com Alex Cooper

Sarah J. Maas revela segredos sobre ACOTAR, Trono de Vidro e seus próximos livros

A autora best-seller Sarah J. Maas participou recentemente de uma longa entrevista no podcast Call Her Daddy apresentado por Alex Cooper, onde falou abertamente sobre sua carreira, seu processo criativo e o futuro de seus universos literários.

Conhecida por séries como A Court of Thorns and Roses, Throne of Glass e Crescent City, a autora abordou desde teorias de fãs até novos livros que estão a caminho.

A conversa trouxe revelações importantes para leitores e também reflexões sobre escrita, romance na fantasia e o impacto de suas histórias.

A adaptação de ACOTAR para TV

Durante a entrevista, a autora também comentou sobre o cancelamento da adaptação de ACOTAR que estava sendo desenvolvida.

Sarah revelou que recuperou os direitos da obra e quer participar diretamente de qualquer adaptação futura.

Agora eu tenho os direitos de tudo de volta. Recuperar os direitos das minhas obras foi uma parte muito importante da minha jornada nos últimos anos. Talvez em algum momento em breve eu fale mais sobre isso. Mas agora meu foco são os livros.

Segundo ela, adaptações devem respeitar a essência dos livros e não ser alteradas apenas para agradar determinados públicos.

Mas eu vejo qualquer adaptação para TV ou cinema como outra faceta dos mundos que eu criei.  E é algo que eu quero liderar. Eu quero entender tudo sobre como essas produções são feitas. Eu sou meio controladora nesse sentido (risos), mas é porque eu amo filmes e séries. Quero fazer parte disso.

E quero ver tudo adaptado da forma que eu imagino e da forma que sei que os fãs querem. Eu nunca quero ouvir algo como: “Precisamos mudar isso para agradar determinado público”. Eu penso: não, não é assim que se faz arte. Não é assim que eu crio minhas histórias. Então quando isso acontecer, vai ser comigo totalmente envolvida no processo. Eu vou me dedicar completamente para fazer dar certo.

Vou estar lá vendo tudo: design, cenário, figurino. Mas também o som. Porque a música é uma parte muito importante para mim. Então a trilha sonora vai ser um grande projeto.

Ela ainda afirmou que considera adaptações audiovisuais uma extensão de seu legado como autora. A nossa diva não se venda! Seu posicionamento foi firme.

O início da carreira literária

Durante a entrevista, Sarah J. Maas contou que começou a escrever ainda muito jovem. A primeira versão da história que viria a se tornar Trono de Vidro foi escrita quando ela tinha apenas 16 anos.

Mais tarde, 10 anos depois, a história foi reescrita e foi publicada oficialmente como o livro Trono de Vidro, dando início a uma saga que conquistaria leitores ao redor do mundo.

Segundo a autora, o sucesso inicial aconteceu porque ela sempre escreveu as histórias que gostaria de ler.

“Eu queria criar protagonistas fortes, mundos ricos e romances intensos dentro de aventuras épicas.”

MaasVerso

A autora explica que as conexões entre suas três grandes séries (Trono de Vidro, Corte de Espinhos e Rosas e Cidade da Lua Crescente) surgiram organicamente durante o período inicial de sua carreira, enquanto esperava por respostas de agentes e editoras.

Ela tinha muito tempo livre e, por amar escrever, dedicava-se a criar histórias sem a intenção inicial de publicá-las. Corte de Espinhos e Rosas simplesmente "jorrou" dela em 2008/2009, e Cidade da Lua Crescente começou como um projeto de paixão para relaxar e se divertir, escrevendo algo diferente (com mais liberdade, incluindo linguagem adulta) quando se cansava dos outros mundos.

Portanto, a visão da conexão não veio de um grande plano mestre, mas sim do fato de ela ter passado anos desenvolvendo esses mundos paralelamente, por puro prazer e durante um período de muita criatividade e tempo livre no começo da carreira. 

Personagens Femininas

A autora explica que sua personagem Aelin  de Trono de Vidro — não foi uma construção planejada, mas sim alguém que surgiu completamente formada, como se já existisse e ela apenas a seguisse. A jornada da personagem acabou refletindo, de forma natural, o próprio crescimento e as experiências pessoais da autora — não como uma autobiografia, mas como um espelho emocional.

O grande propósito de Aelin, segundo ela, foi representar algo raro na literatura fantástica: uma mulher que não precisava ser agradável. A Sarah queria retratar uma personagem que pudesse sentir raiva, tomar decisões ruins, aprender com elas e ter múltiplos relacionamentos — algo mais próximo da vida real. A ideia era permitir que Aelin fosse imperfeita, intensa e livre, sem a preocupação de agradar quem lesse.

Essa abordagem se repetiu em outras personagens, como Manon, levada a um nível ainda mais extremo de liberdade e selvageria.

Ela foi uma versão ainda mais extrema disso. Eu pensei: “Ela simplesmente vai aparecer com suas garras e fazer o que quiser.”

O debate sobre romantasy e cenas explícitas nos livros

Outro ponto importante da entrevista foi a defesa que Sarah J. Maas fez das cenas românticas e explícitas em suas obras.

A autora afirmou que muitas críticas ao conteúdo sexual de seus livros vêm de um preconceito contra histórias escritas por mulheres.

Segundo ela, essas cenas não existem apenas para chocar ou provocar, mas fazem parte da construção emocional e narrativa dos personagensEla critica a tendência de reduzirem seu trabalho a "apenas pornografia" ou "coisa sexy", ignorando a profundidade emocional e o impacto real que suas histórias têm na vida dos leitores.

Maas também destacou que leitores frequentemente se conectam profundamente com seus livros, encontrando apoio emocional nas histórias e nos personagens.

Ela destaca que, embora ame escrever cenas sensuais e tenha orgulho delas, o que seus fãs mais compartilham com ela são momentos de transformação pessoal — como mulheres que deixaram relacionamentos abusivos após se identificarem com personagens como Feyre em A Court of Mist and Fury.

A autora também defende que o sexo na literatura, quando bem integrado à narrativa, está diretamente ligado à jornada emocional dos personagens, como no caso de Nesta e Cassian em Silver Flames. Por fim, ela denuncia o preconceito contra obras que trazem prazer e alegria para o público feminino, apontando que, sempre que uma mulher escreve sobre sexo, todo o resto de seu trabalho é ignorado ou desvalorizado — mesmo quando os livros abordam temas profundos como trauma, cura e empoderamento.

A experiência Gestacional da Sarah e como isso impactou seus livros

Sarah contou que a trama envolvendo a gravidez de Feyre em A Court of Silver Flames foi profundamente influenciada por suas próprias experiências traumáticas durante a gestação e o parto. Ela compartilha detalhes íntimos e dolorosos: a pressão sobre o peso que desencadeou velhos problemas alimentares, o medo de hospitais, a solidão durante uma cesárea de emergência onde não permitiram a entrada de seu marido, a frieza da equipe médica, e um corte mal feito por um médico "preguiçoso" que afetou sua recuperação e futuras gestações.

Ao transferir esses sentimentos para a personagem, ela não buscou um relato literal, mas sim uma forma de processar o trauma, o medo constante e a sensação de vulnerabilidade que marcaram suas gravidez. A narrativa de Feyre, incluindo o medo de Rhysand por sua segurança, reflete seu próprio receio de passar por tudo novamente.

A autora também defende a importância de incluir a maternidade na literatura fantástica como um tema legítimo e poderoso. Para ela, a jornada de uma personagem não precisa terminar no "felizes para sempre" tradicional — é possível explorar o que vem depois, incluindo os desafios, os medos e a força que a maternidade pode trazer. Ela reforça que ser mãe a tornou mais forte e que histórias sobre isso não devem ser vistas como fraqueza, mas como parte da experiência real de muitas mulheres.

Independentemente de como você constrói sua família. Isso não é fraqueza. Eu me tornei uma pessoa mais forte depois de virar mãe. Aprendi a me defender muito mais.

Ser mãe me ensinou coisas que eu nunca teria aprendido antes. As mães são algumas das pessoas mais incríveis do mundo. E eu aprendi muito com essa experiência. Isso é uma força e uma sabedoria que devem ser compartilhadas.

A criação de Rhysand

Rhys não foi planejado. Ele simplesmente apareceu na cena enquanto ela escrevia o primeiro livro de ACOTAR. Quando Feyre conhece Tamlin, Sarah pensou: "Esse cara é atraente". Mas quando Rhys surgiu, ela percebeu: "Ah não… não é esse cara… é esse cara." Quando o primeiro livro saiu, fãs diziam amar Tamlin, e Sarah pensava: "Que bom para você… e sinto muito.

E não, ela não revelou o sobrenome dele, mas sabemos que é Rhysand da Silva.

Tamlin ainda pode ter um arco de redenção?

É complicado, porque muitas mulheres — incluindo amigas próximas de Sarah — viram seus próprios relacionamentos abusivos refletidos em Tamlin.

Uma das melhores amigas de Sarah, sobrevivente de abuso, se refere ao ex como "Tamlin". Sarah conversou com ela para saber se escrever mais sobre Tamlin seria uma traição.

Parte de Sarah pensa: "ele pode queimar no inferno para sempre". Mas como escritora, ela também se pergunta: "qual é a história ali? O que existe para explorar?" — não para justificar, mas para explorar.

É uma das decisões mais difíceis para ela como escritora.

O sistema de “mates” explicado pela autora

Uma das perguntas mais aguardadas pelos fãs foi sobre o famoso sistema de “mates” no universo de ACOTAR.

Sarah explicou que o vínculo de mates funciona como uma espécie de ligação destinada, algo semelhante a uma alma gêmea, mas não garante necessariamente amor ou compatibilidade.

Ela comentou que existem: mates verdadeiramente compatíveis e mates formados apenas por um fator biológico. Como exemplo, ela mencionou que os pais de Rhysand eram mates, mas não tinham um relacionamento saudável.

Essa explicação ajuda a entender muitos conflitos românticos dentro da série. O que nos leva A Pergunta: Elaine rejeitando o vínculo com Lucien?

Elaine tem muito trauma. Imagine ser transformada em uma criatura completamente diferente, com uma vida que pode durar séculos. E, de repente, você está ligada a um estranho. Alguém que participou do processo que mudou sua vida. É muita coisa para processar. Então explorar o livre-arbítrio dentro de um vínculo predestinado é algo que acho muito interessante. E como escritora eu adoro perguntas como: “E se você estiver ligado a alguém… mas não quiser estar?”

[Meu coração parou por um mile segundo com essa resposta.]

O anúncio que deixou os fãs em choque: novos livros de ACOTAR

O post que incendiou a internet tinha uma seta apontando para frente, com "ACOTAR 6".

Ela estava trabalhando nele há muito tempo e precisava encontrar a história certa e estar no estado mental adequado para escrevê-la. No verão, em Montana, tudo clicou e a história saiu muito rápido, contou Sarah na entrevista.

Segundo a autora, dois novos volumes da saga serão lançados:

  • ACOTAR 6 - Parte 1 será publicado em outubro de 2026

  • ACOTAR 6 - Parte 2 e 3 será publicado em janeiro de 2027

As duas obras fazem parte de uma mesma grande história, que acabou sendo dividida por causa do tamanho da narrativa. Sarah enfatiza: isso não é uma trilogia. Os arcos narrativos não são fechados como em uma trilogia tradicional. É como pegar um livro seu e expandir todas as partes — ficaria gigantesco.

Perguntas rápidas (rapid fire)

Pergunta: O que Lorcan fez?

Sarah: Alguém me explicou essa teoria alguns meses atrás… Eu não sei. Eu não sabia como me sentir em relação a isso naquela época. Não sei como me sentir em relação a isso agora... talvez um dia eu faça um conteúdo extra ou presente de Natal para vocês.

Pergunta: Onde está Vaughn?

Sarah: Sabe, isso é algo que eu penso com frequência. Bastante.

Pergunta: A estabilização é igual ou semelhante à queda?

Sem resposta.

Pergunta: Por que Aelin teve que perder seus poderes?

Sarah: Eu realmente lutei com essa decisão. Não gosto da ideia de alguém ter que abrir mão de algo que aprendeu a amar.  Mas também acho que decisões enormes exigem algum tipo de sacrifício. Isso torna o final mais significativo. E também abre uma nova jornada para a personagem.

Pergunta: Alguns fãs acham frustrante que personagens femininas percam poderes enquanto personagens masculinos não. O que você acha disso?

Sarah: Esses livros são sobre mulheres encontrando seu poder. Mas perder magia não significa perder força. Aelin e Nesta continuam sendo incríveis. Perder magia não te torna menos heroína.

Pergunta: Vamos ver personagens de Throne of Glass novamente?

Sarah: Eu penso neles o tempo todo… então quem sabe.

Pergunta: Onde Manon está agora?

Sarah: Honestamente? Ela deveria estar fazendo terapia depois de tudo que passou.

Pergunta: Onde Bryaxis está/ Para onde foi?

Sarah: Para onde você acha que ELA foi? P que você acha que ELA esta aprontando? Quer dizer, para onde o medo vai?

Pergunta: Quem é a mamãe das Archeron? Ela é descendente das bruxas Dentes de Ferro?

Sem resposta.

Pergunta: Bryce e Hunt são o casal endgame de Crescent City?

Sarah: Sim.

Pergunta: Como o Livro do Sobro e The Walking Dead foram parar na livraria de Jesiba?

Sarah: Não sei, você terá que aguardar por respostas.

Pergunta: Existem teorias que Rhs e Ruhn são parentes. Você pode confirmar?

Sarah: [incredula]. 

Pergunta: Quem ou o que é Fury Axtar? Será que ela é a mercenária que Feyre encontra em acotar?

Sarah: Sim. 

Pergunta: Quem venceria uma luta: Bryce, Aelin, Feyre ou Manon?

Sarah: Nenhuma delas lutaria. Elas diriam: “Isso é ridículo. Vamos nos apoiar e depois comer um In-N-Out Burger juntas.”


O impacto de Sarah J. Maas na fantasia moderna

Hoje, Sarah J. Maas é uma das autoras mais influentes da fantasia contemporânea.

Seus livros já venderam dezenas de milhões de cópias ao redor do mundo e ajudaram a popularizar o subgênero conhecido como romantasy, que mistura fantasia épica com romance intenso.

Seus universos interligados também criaram uma comunidade gigantesca de leitores que analisam teorias, pistas e conexões entre as séries.

3 de mar. de 2026

Resenha: Romeu e Julieta - Shakesperare

Romeu e Julieta - William Shakespeare
Avaliação: ★★★★☆ (4.0) 
Classificação: 16+
Gênero: Dramático (tragédia), Ficção, Romance
Ano: 2009 (edição) / Páginas: 160 
Editora: L&PM POCKET

Reler Romeu e Julieta, 10 anos depois, foi um choque, não tinha maturidade literária e mental suficiente na época. Descobri que a versão popular da história é apenas a superfície de algo muito mais complexo e doloroso. 

E se a maior tragédia de amor da literatura não fosse sobre morrer por amor, mas sobre adultos orgulhosos demais para salvar seus próprios filhos?

O conflito central não é apenas o romance proibido entre dois jovens; é o ódio irracional entre duas famílias, Montéquio e Capuleto, que transforma a cidade de Verona em um campo minado emocional. O amor de Romeu e Julieta nasce dentro desse ambiente sufocante e cresce rápido demais, como se soubesse que o tempo é curto. 

A estrutura narrativa é linear, cronológica, com começo, meio e fim bem definidos, e que fim hein... Há prólogo, há presságios, há uma sequência de decisões precipitadas que funcionam como peças de dominó até o clímax devastador. 

Um casamento secreto, o duelo que muda o rumo da história, o plano arriscado do Frei Francisco, tudo conduz a um desfecho que não surpreende pelo que acontece. Sabemos que a tragédia virá, mas isso não diminui o impacto; ao contrário, amplia a angústia.

O narrador é onisciente, em terceira pessoa, característica do texto teatral que se constrói por meio de falas. Não há um único ponto de vista dominante, mas múltiplas vozes que revelam diferentes perspectivas sobre amor, honra, masculinidade e poder. Essa alternância dá profundidade ao conflito, porque percebemos que ninguém é completamente vilão, mas todos são responsáveis.

PERSONAGENS

Romeu é impulsivo, apaixonado pela ideia de amar. No início, sofre por Rosalina;  mas ao entrar de penetra na festa da família Capuleto, ele se depara com a belíssima jovem. Romeu se encanta por ela e pouco depois, declara amor eterno a Julieta. Há intensidade genuína, mas também imaturidade.  

Julieta, por outro lado, é quem apresenta o arco de transformação mais evidente. Começa recatada, quase infantil (o que seria até natural pela idade de 14 anos), e termina tomando decisões radicais sozinha. Quando descobre que Romeu é um Montecchio, poderia recuar, mas escolhe avançar. Quando ela percebe que será forçada a casar com Paris, desafia a autoridade paterna a ponto de colocar a própria vida em risco. 

Apesar de serem muito jovens, não vejo apenas paixão juvenil, vejo é compromisso selado às pressas em um mundo que não lhes dá espaço para amadurecer (eles de fato se casaram). São personagens complexos, atravessados por contradições, símbolos de uma juventude esmagada pelo orgulho masculino e pela rigidez social.

UNIVERSO & AMBIENTAÇÃO

A ambientação em Verona, na Itália renascentista, é histórica e realista, mas carregada de teatralidade. As ruas são palco de brigas públicas; os salões, de festas luxuosas e encontros secretos; a sacada se torna um dos cenários mais icônicos da literatura. Há uma coerência interna nas regras sociais, honra deve ser defendida, ofensas precisam ser vingadas, e são justamente essas regras que conduzem à tragédia. As descrições, ainda que vagas, ganham força pela linguagem poética, repleta de imagens sensoriais ligadas à luz e à escuridão, ao dia e à noite, ao céu e ao inferno.

TEMA & MENSAGENS

Os temas são universais: amor, ódio, destino, juventude, morte, honra, conflito geracional. A obra levanta reflexões sociais e existenciais profundas como: o que acontece quando o orgulho dos adultos vale mais do que a vida dos jovens? O amor é libertação ou condenação quando vivido sem maturidade?

O tom não é militante, mas simbólico e profundamente humano. Shakespeare não aponta o dedo, ele expõe. E o que fica depois da última página é um peso no peito, uma sensação de perda e a percepção de que a reconciliação veio tarde demais.

ESCRITA

A escrita é intensamente poética, musical, repleta de metáforas, hipérboles e jogos de linguagem. Há lirismo nas declarações de amor e brutalidade crua nas cenas de confronto. Shakespeare alterna humor , especialmente nas falas da Ama e de Mercúcio, com desespero absoluto. Ele conduz o leitor como quem sabe exatamente quando aliviar e quando apertar o coração. A repetição de imagens ligadas à luz transforma Julieta em sol, em estrela, em algo celestial, enquanto o mundo ao redor mergulha na escuridão, criando um dualismo.

VEREDITO

A edição que li foi de 2009 pela L&PM Pocket, o texto continua acessível e impactante, mas é diferente da que eu li anos atras. Avaliei com 4 estralas, porque funciona. Funciona porque dói. Porque emociona. Porque revolta. Porque nos obriga a olhar para a responsabilidade coletiva diante das tragédias individuais.

O que me surpreendeu nessa releitura foi perceber que eu não estava pronta suficiente para essa leitura em 2016. Não perceber o qual profunda era essa historia, além de encontrar frases com duplo sentido em meio a leitura, algumas com um tom pejorativo.

Eu indicaria Romeu e Julieta para jovens e adultos, especialmente para quem acha que já conhece a história. Ler a peça é diferente de ouvir falar dela, de assistir um filme... O que mais me marcou foi perceber que o amor deles realmente une as famílias, mas une pela culpa, pelo luto, pela perda. Shakespeare sabia que a vida não avisa quando vai virar tragédia. E às vezes, quando percebemos, já é tarde demais.

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1 de mar. de 2026

Resenha: Tempestade de Ônix

 

Tempestade de Ônix - Rebecca Yarros 
Avaliação: ★★☆☆☆ (2/5)
Classificação: 18+
Gênero: Fantasia, Romance, ficção
Ano: 2025 / Páginas: 608
Editora: Planeta Minotauro

Depois de tanta expectativa, a sensação que fica é: para onde essa história está indo, e por que parece que não sai do lugar?

Tempestade de Ônix tinha potencial para aprofundar conflitos, expandir o universo e entregar revelações marcantes. Em vez disso, soa como um volume de transição longo e repetitivo.

24 de jan. de 2026

A pressão por produtividade na escrita

 Quantas páginas você escreveu hoje? Quando sai o próximo livro?

As são perguntas simples e direta, e quase sempre, bem-intencionada. Mas, para muitos escritores, ela carrega um peso. Em um mundo que mede o valor por números — páginas, palavras, publicações, engajamento — a escrita, que nasce do silêncio, das experiências, da observação e da escuta interna, tem sido empurrada para um ritmo que nem sempre lhe pertence.

Nunca se falou tanto em escrever. E, paradoxalmente, nunca tantos escritores se sentiram travados, cansados ou insuficientes. Por isso, resolvi escrever esse artigo para você leitor.

Quando o carinho vira cobrança

A ideia de produtividade invadiu todos os campos da vida contemporânea, e a literatura não escapou. Hoje, não basta escrever bem; é preciso escrever sempre. Manter constância, presença digital, prazos rígidos e uma produção contínua que dialogue com algoritmos e expectativas externas.

A escrita criativa, porém, não funciona como uma linha de montagem. Um conto não nasce apenas de disciplina, e um romance não se constrói só com metas diárias de palavras. Há dias em que o texto flui; em outros, ele exige maturação, leitura, silêncio e elementos que não aparecem em gráficos de desempenho.

É importante dizer: leitores apaixonados não são o problema. Pelo contrário. Eles sustentam a literatura, mantêm livros vivos e criam comunidades em torno de histórias. O conflito surge quando o entusiasmo passa a ditar o ritmo criativo do escritor.

Comentários como “estou esperando a continuação”, “já faz muito tempo sem lançar nada” ou “outros autores publicam mais rápido” podem parecer inofensivos, mas, repetidos constantemente, criam um clima de urgência. A obra deixa de ser um processo e passa a ser uma promessa com prazo implícito. Talvez você seja um leitor que fez esse comentário, e gostaria que fosse mais consciente ao finalizar a leitura desse artigo.

O leitor da era da velocidade, tic tac, tic tac o relógio não para de trabalhar

Parte dessa pressão nasce do próprio contexto em que vivemos. Séries lançam temporadas anuais, plataformas que oferecem conteúdo infinito e redes sociais que estimulam consumo constante (quantas horas passou scrollando hoje?). O leitor contemporâneo está acostumado à rapidez e, sem perceber, transfere essa lógica para os livros.

Mas literatura não funciona como streaming. Um romance não é um episódio que pode ser entregue no mesmo ritmo. Cada livro carrega decisões estéticas, revisões, cortes, amadurecimento de ideias e, muitas vezes, conflitos pessoais do autor.

Livros precisam de tempo. Não apenas para serem escritos, mas para amadurecerem. Muitas ideias só revelam seu verdadeiro potencial depois de repousar. Um personagem mal resolvido hoje pode se tornar inesquecível após meses de reflexão.

Exemplos da literatura que escolheu o tempo

A história literária está cheia de autores que desafiaram expectativas de ritmo. J. D. Salinger publicou pouco e se retirou da vida pública. Harper Lee levou décadas entre um livro e outro. Mesmo assim, suas obras continuam lidas, estudadas e debatidas.

J.R.R. Tolkien levou cerca de 12 a 17 anos para escrever O Senhor dos Anéis, começando logo após o sucesso de O Hobbit por volta de 1937 e concluindo a obra, com diversas revisões, por volta de 1949-1950, sendo publicado apenas em 1954-1955. A escrita foi lenta devido a interrupções, perfeccionismo e ao desenvolvimento complexo da mitologia. Além disso, Tolkien não era um escritor em tempo integral, então escrevia em seu tempo livre enquanto trabalhava como acadêmico.

Hoje temos Diana Gabaldon leva, em média, cerca de 5 anos para publicar cada volume principal da série Outlander. No entanto, esse tempo tem variado ao longo dos quase 30 anos de lançamento da saga. Sarah J. Maas leva em torno de 2 a 5 anos para publicar, sabemos que seus livros são conhecidos por serem muito longos e complexos, o que exige mais tempo de escrita e edição. Ela também mencionou a necessidade de equilibrar a escrita com a vida familiar.

Esses autores não escreveram para atender demandas imediatas, mas para entregar algo que consideravam verdadeiro. O tempo foi parte essencial da construção dessas obras — não um obstáculo.

A permanência de um livro, muitas vezes, está ligada justamente à sua recusa em ser apressado.

O papel do leitor consciente

Talvez seja hora de repensar também o lugar do leitor nesse processo. Apoiar um autor não é apenas pedir mais, mas respeitar o tempo da criação. É entender que histórias precisam de espaço para respirar antes de serem compartilhadas.

Eu sei que você é apaixonado por histórias, e das boas, então não vamos sufocar o artista, que no caso é o autor, okay?

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