Novamente a Sarah me deixou destruída após mais uma leitura de seus livros.
Vemos as aventuras e desafios vividos por Celaena Sardothien antes de ser condenada a ser escrava em Endovier.
Ouso dizer que Celaena é uma das personagens mais corajosas que conheço, mesmo que ela tenha admitidos que é covarde.
"No fundo, disse ela, sou uma covarde. As sobrancelhas de Sam se ergueram. Sou covarde, repetiu Celaena. E tenho medo. Tenho medo o tempo todo. Sempre."
[Queria ter metade dessa coragem e um terço dessa modéstia. Sem falar no deboche e sarcasmo.]
Ela perdeu tudo que amava e mesmo quando estava prestes a desistir de tudo a esperança aparece para ela como promessa de um futuro. O Senhor do Norte.
[...]
E ali, de pé em um matagal de espinhos, estava um cervo branco.
O fôlego de Celaena falhou.
Ela se agarrou às barras da pequena janela quando a criatura olhou naquela direção. Os chifres altos pareciam brilhar ao luar, coroando o animal com uma grinalda de marfim.
- Pelos deuses - sussurrou um dos guardas.
A enorme cabeça do cervo se virou levemente na direção da carruagem, na direção da pequena janela.
O Senhor do Norte.
Assim as pessoas de Terrasen sempre saberão como encontrar o caminho de casa, dissera Celaena a Ansel certa vez quando estavam deitadas sob um cobertor de estrelas e tracejavam a constelação do Cervo. Assim podem olhar para o céu, não importa onde estejam, e saberão que Terrasen está com elas para sempre.
Nuvens de ar quente sopraram do focinho do cervo, enroscando-se na noite fria.
Celaena fez uma reverência com a cabeça, embora mantivesse o olhar sobre o animal.
Assim as pessoas de Terrasen sempre saberão como encontrar o caminho de casa...
Uma rachadura no silêncio - abrindo-se cada vez mais conforme os olhos impenetráveis do cervo se mantinham fixos nela.
O lampejo de um mundo há muito destruído... um reino em ruínas. O cervo não deveria estar ali; não tão no interior de Adarlan ou tão longe de casa. Como sobreviveu aos caçadores que tinham sido soltos nove anos antes, quando o rei ordenou que todos os cervos brancos sagrados de Terrasen fossem massacrados?
E, no entanto, ali estava o animal, brilhando como um farol ao luar.
Estava ali.
E Celaena também.
Ela sentiu o calor das lágrimas antes de perceber que chorava.
[...]
Assim ela não abaixa sua cabeça para Endovier.
[...]
Celaena abriu os olhos.
Iria para Endovier. Iria para o Inferno.
E não cederia.
[...]
- Meu nome é Celaena Sardothien - sussurrou ela -, e não vou sentir medo.
[...]
Celaena Sardothien ergueu o queixo e caminhou para as Minas de Sal de Endovier.
Quando fechei o livro, chorei não apenas pelo que Celaena perdeu. Chorei por quem ela ainda não sabia que seria. Porque alguns personagens não nos inspiram por serem perfeitos. Eles nos inspiram porque continuam caminhando, mesmo quando o mundo inteiro tenta fazê-los desistir. E Celaena Sardothien nunca abaixa a cabeça. Nem diante dos reis, nem diante do destino, nem diante do inferno.
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