Mr. Romance - Leisa Rayvens
Masters of Love #1
Avaliação: ★★★★☆ 4/5
Classificação: Adulto +18
Gênero: Romance, Fantasia, Literatura Estrangeira
Ano: 2017 / Páginas: 358 / Editora: Globo Alt
Os homens deveriam fazer aulas com o Mr. Romance
Alguns livros nos fazem rir. Outros nos fazem suspirar. E existem aqueles raros romances que conseguem fazer as duas coisas ao mesmo tempo, enquanto ainda nos deixam refletindo sobre amor, solidão e relacionamentos.
Mr. Romance foi exatamente essa experiência para mim.
Esse livro estava na minha lista há um tempão e, finalmente, decidi começar o ano com ele. Como já havia lido outra obra de Leisa Rayven, sabia que encontraria uma escrita leve, divertida e emocionalmente envolvente. Ainda assim, não esperava me divertir tanto.
A história acompanha Eden Tate, uma jornalista talentosa que vê todo o seu potencial profissional sendo desperdiçado em matérias superficiais e pouco relevantes. Cética em relação ao amor e ao romance, Eden deixa claro desde o início que não acredita em finais felizes ou almas gêmeas.
E, sinceramente?
Em vários momentos, eu a entendi perfeitamente.
Tudo muda quando ela descobre a existência de um homem misterioso conhecido como Mr. Romance. Diferente do que o nome sugere, ele não é um influenciador ou celebridade. Suas clientes pagam por encontros cuidadosamente planejados, capazes de proporcionar experiências românticas inesquecíveis.
Para Eden, isso parece absurdo.
Quem pagaria por romance?
Na visão dela, tudo não passa de uma grande farsa — ou pior, um golpe sofisticado.
Mas a jornalista vê ali uma oportunidade de ouro para impulsionar sua carreira: investigar a verdadeira identidade do famoso Mr. Romance e transformar a descoberta em uma grande matéria.
E se você já leu romances suficientes, provavelmente consegue imaginar o caos que está prestes a acontecer.
O resultado é uma história divertida, cheia de diálogos afiados, situações constrangedoras e momentos capazes de aquecer até os corações mais céticos.
Mas o que mais me surpreendeu foi que Mr. Romance fala muito mais sobre amor-próprio do que sobre romance.
Existe uma frase da protagonista com a qual concordo completamente:
Ninguém precisa de outra pessoa para se sentir completo.
E eu acredito nisso...
Você não precisa de um relacionamento para preencher vazios. Somos pessoas inteiras antes mesmo de amar alguém. Um parceiro não vem para completar aquilo que falta — vem para compartilhar, construir e transbordar ao nosso lado.
Talvez seja justamente por isso que o livro tenha me feito refletir tanto.
Ele mostra que traumas, medos e experiências ruins podem nos tornar céticos, mas não precisam se transformar em prisões permanentes.
Há uma diferença enorme entre gostar da própria companhia e viver em solidão.
E o livro aborda isso de maneira sensível:
"Eu gosto de ficar sozinha. Tem uma certa paz na solidão."
"Concordo. Mas tem certeza que você não está confundindo curtir um tempo sozinha com solidão?"
Essa passagem ficou ecoando na minha cabeça por muito tempo.
Vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, trata a solteirice como fracasso ou, no extremo oposto, romantiza a ideia de não precisar de ninguém. A verdade talvez esteja no equilíbrio: é possível ser feliz sozinho e, ao mesmo tempo, permanecer aberto à possibilidade do amor.
Sando sincera, tenho dificuldade de encontrar alguém compatível comigo... ou talvez eu seja uma romântica incurável. Ou apenas uma leitora que passou tempo demais convivendo com crushes literários impossíveis de superar. Porque sejamos sinceros: competir com personagens fictícios é uma batalha injusta.
No fim, Mr. Romance deixa uma mensagem simples, mas importante: não se prive de viver um amor por medo, por insegurança ou por acreditar que não merece ser amado. O amor pode não acontecer da forma como imaginamos, mas isso não significa que ele não exista.
E se você descobrir que é realmente feliz sozinho?
Tudo bem também.
Mas, sinceramente…
Considere adotar um pet.
A vida fica melhor com companhia, humana ou não.
Mr. Romance é uma comédia romântica divertida, inteligente e surpreendentemente reflexiva. Entre risadas, suspiros e momentos emocionantes, o livro nos lembra que o amor mais importante continua sendo aquele que construímos com nós mesmos.
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