3 de jun. de 2021

Resenha Express: A Rainha do Nada - Holly Black

A Rainha do Nada - Holly Black
O Povo do Ar #3

Avaliação★★★★☆ 4/5
Classificação
: Jovem Adulto
Gênero
: Fantasia, Romance, Literatura Estrangeira
Ano
: 2020 / Páginas: 294 / EditoraGalera Record

"Uma rainha escolhida pela terra."

Encerrar uma trilogia tão marcante nunca é fácil. E A Rainha do Nada, terceiro e último volume de The Folk of the Air, entrega exatamente o que promete: intrigas políticas, magia, traições e um desfecho digno do reino de Elfhame.

A narrativa começa imediatamente após os acontecimentos devastadores de O Rei Perverso. Jude Duarte, agora Rainha das Fadas, encontra-se exilada no mundo humano. Traída por sua irmã gêmea e enganada pelo próprio Rei Supremo, o homem que ama, ela se vê afastada do reino pelo qual lutou durante toda a vida.

Longe de Elfhame, Jude tenta manter alguma ligação com o mundo feérico trabalhando como caçadora de recompensas para criaturas mágicas. Mas o exílio dura pouco. Quando Taryn surge inesperadamente pedindo sua ajuda, oferecendo algo que sabe que Jude não poderá recusar, a protagonista é arrastada de volta ao reino das fadas, e aos perigos que jurou deixar para trás.

E se há algo que aprendemos ao longo da trilogia é que, em Elfhame, ninguém é totalmente confiável.

O Povo do Ar não pode mentir, mas domina a arte da manipulação. Eles distorcem verdades, omitem informações e transformam palavras em armas. Nesse universo, a traição é quase uma forma de linguagem, e Jude precisa navegar por um jogo político onde cada aliança pode esconder uma armadilha.

Uma das coisas que mais gosto em Jude é justamente sua forma de lidar com as traições. Ao contrário do que muitos imaginam, não acredito que o rancor seja o sentimento que a move. Jude busca compreender. Ela deseja saber o motivo por trás das escolhas das pessoas, mas não permite que a dor a consuma. Essa complexidade emocional é o que a torna uma protagonista tão fascinante.

E então chegamos a Cardan Greenbriar.

Desde o primeiro livro, nunca enxerguei Cardan apenas como o príncipe cruel, arrogante e perverso que aparentava ser. Sempre houve algo mais sob a superfície: um menino negligenciado, privado de afeto e moldado pela violência da própria corte.

Ao longo da trilogia, vemos seu amadurecimento de forma gradual e convincente. Tornar-se rei significou carregar um peso que ele jamais desejou, além de enfrentar o fardo de uma terrível profecia. Cardan é um personagem repleto de contradições — sombrio e gentil, cruel e vulnerável, orgulhoso e carente de amor.

Talvez seja justamente por isso que ele e Jude funcionem tão bem juntos.

Do ódio ao amor, da rivalidade à parceria, o relacionamento dos dois foi construído passo a passo. Eles não se completam porque são opostos, mas porque compartilham cicatrizes semelhantes. Cada um carrega sua própria escuridão, mas também encontra no outro um espaço para ser vulnerável.

Neste volume, personagens secundários também ganham mais destaque. Taryn finalmente assume um papel mais ativo na trama, enquanto Vivi recebe momentos importantes para seu desenvolvimento. Ainda assim, senti falta de mais diálogos sinceros entre as três irmãs. Considerando tudo o que viveram, acredito que a dinâmica familiar merecia maior aprofundamento.

Oak continua roubando a cena sempre que aparece, e os membros da Corte das Sombras seguem desempenhando papéis fundamentais na narrativa política de Elfhame.

Quanto ao ritmo, Holly Black mantém sua escrita afiada e viciante. A leitura flui tão rapidamente que, quando percebi, estava diante da última página sem estar preparada para me despedir desse universo.

E sim, confesso: surtei em vários momentos.

Principalmente naquela cena tão aguardada entre Jude e Cardan. Depois de toda a tensão acumulada ao longo da trilogia, meu coração simplesmente não estava preparado.

A Rainha do Nada entrega um encerramento satisfatório para a jornada de Jude e Cardan, equilibrando política, romance e fantasia. Embora alguns arcos secundários pudessem ter sido mais desenvolvidos, o livro encerra a trilogia de forma emocionante e memorável.

Quando terminei a última página, minha primeira reação foi simples: não acredito que acabou.

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