1 de set. de 2020

Resenha: Estilhaça-me - Tahereh Mafi

 

Resenha: Estilhaça-me - Tahereh Mafi

Livro: Estilhaça-me - Tahereh Mafi
Estilhaça-me - Tahereh Mafi
Estilhaça-me 1

Avaliação: ★★★☆☆ (3/5)
Classificação: Infanto-juvenil + 12
Gênero: Romance, Ficção, Literatura Estrangeira
Ano: 2012 / Páginas: 352 / Editora: Universo dos Livros

 E se o seu toque fosse uma arma?

“Meu toque é letal. Meu toque é poder. Meu toque é maldição.”

Juliette Ferrars vive em um mundo onde não pode tocar ninguém. Seu toque, literalmente, mata. Abandonada pelos pais, desacreditada por todos, ela carrega o peso de ser considerada uma aberração desde a infância. E agora está presa em um manicômio. Há 264 dias.

Sem contato humano, sem janelas, sem esperança. Tudo que lhe resta é a própria mente — instável, confusa, mas lúcida o suficiente para não perder de vez a sanidade. E um caderno. É nele que Juliette tenta encontrar algum tipo de controle, escrevendo compulsivamente seus pensamentos, riscando palavras como se pudesse apagar seus sentimentos sombrios e sua solidão.

Isolamento, medo... e a faísca de algo novo

A rotina muda quando ela recebe um colega de cela. Adam Kent. Um garoto aparentemente calmo, gentil — mas que desperta nela algo entre o medo e a familiaridade. Ela o conhece. E aos poucos, a presença dele quebra as paredes emocionais que ela construiu. Literalmente.

O mundo lá fora está ruindo. O meio ambiente entrou em colapso, o caos domina as cidades e o chamado Restabelecimento, uma força político-militar, tomou o poder prometendo ordem, mas entregando opressão. E é para lá que Juliette será levada.

Warner: o vilão que não é só vilão

É nesse ponto que conhecemos Aaron Warner, um comandante jovem e ambicioso, com olhos intensos e uma obsessão perigosa pelos poderes de Juliette. E aqui o livro brilha.

Enquanto Adam parece seguir o padrão do mocinho típico — corajoso, protetor, previsível —, Warner surge como um antagonista magnético, complexo e cheio de camadas. Sua relação com Juliette é tensa, instigante e cheia de subtextos. É impossível ignorar o fascínio que ele exerce (inclusive em nós, leitores).

Narrativa poética e perturbadora

O maior destaque de Estilhaça-me é a escrita de Tahereh Mafi. Com um estilo visceral, quase poético, a autora mergulha profundamente nos pensamentos de Juliette. Frases riscadas, repetições, pausas, fluxo de consciência... tudo isso nos coloca dentro da cabeça de uma personagem quebrada, vulnerável, mas com uma força que ainda não sabe que possui.

A experiência de leitura pode até parecer caótica no início, mas logo se torna envolvente e única.

Apesar de a narrativa me prender completamente, confesso que o romance entre Juliette e Adam não me convenceu. Foi rápido demais, previsível e, por vezes, ofuscado pela construção mais intensa que ocorre entre ela e Warner. Talvez por isso muitos leitores acabem divididos entre #TeamAdam e #TeamWarner.

Juliette, por outro lado, é uma protagonista que evolui. Sua transformação emocional e psicológica é uma jornada que promete muito nos próximos volumes.

A trilogia virou saga, se você se apaixonar por Estilhaça-me, prepare-se: a história cresce muito depois do primeiro volume. Abaixo está a ordem completa da série, incluindo os contos.

Ordem de Leitura:

  1. Estilhaça-me
  2. Destrua-me (conto 1.5)
  3. Liberta-me
  4. Fragmenta-me (conto 2.5)
  5. Incendeia-me
  6. Restaura-me
  7. Protege-me (conto 4.5)
  8. Desafia-me
  9. Revela-me (conto 5.5)
  10. Imagina-me
  11. Aceita-me (conto 6.5)
  12. Vigia-me (novo livro da série chamada Nova República, ambientada no mesmo universo)
! Os contos Destrua-me e Fragmenta-me foram lançados juntos no livro Unifica-me, enquanto Proteja-me e Revela-me estão em Decifra-me, facilitando a leitura. 
Blog Viajante Literária - Lista dos livros Estilhaça-me

Estilhaça-me é mais do que uma distopia/fantasia adolescente com poderes especiais. É uma reflexão sobre isolamento, dor, poder e aceitação. Com uma narrativa intensa e uma protagonista marcante, Tahereh Mafi entrega um início promissor de uma saga que só melhora com o tempo.

Você já leu esse livro? Qual foi sua impressão sobre Juliette, Adam e Warner? Me conta aqui nos comentários, quero saber se você também ficou dividida entre amor e ódio por um certo “vilão”.

30 de ago. de 2020

Resenha: P.S.: Ainda Amo Você - Jenny Han

 

Resenha: P.S.: Ainda Amo Você - Jenny Han

P.S.: Ainda Amo Você - Jenny Han
Trilogia - 2

Avaliação: 2.5/5
Classificação: Infanto-juvenil + 12
Gênero: Romance, Ficção, Literatura Estrangeira
Ano: 2016 / Páginas: 304 / Editora: Intrínseca 
Possui adaptação cinematográfica: Netflix

Quando o namoro deixa de ser encenação e o coração precisa escolher...

Se você terminou Para Todos os Garotos que Já Amei com o coração aquecido e querendo mais de Lara Jean e Peter Kavinsky, prepare-se: a sequência começa exatamente onde paramos — e agora o namoro é real.

Sim, depois de tantas idas e vindas, cartas vazadas, e uma avalanche de emoções adolescentes, Lara Jean finalmente engata um relacionamento de verdade com Peter. Só que, como toda relação na vida real, a convivência traz inseguranças, fantasmas do passado e novos desafios.

Velhos amores, novos dilemas

Se você achou que o drama das cartas tinha acabado… surpresa! Surge em cena John Ambrose, outro destinatário do passado e, agora, muito presente na vida de Lara Jean. Ele volta à cidade mais maduro, fofo, gentil — um verdadeiro cavalheiro de época — e logo se reaproxima dela. A amizade dos dois ganha destaque, e... não se engane, esse "amigo" tem potencial para abalar o coração já balançado da nossa protagonista.

Enquanto isso, Peter ainda mantém laços com sua ex, Genevieve, e isso desperta em Lara Jean sentimentos confusos, insegurança e ciúmes. Afinal, será que ele ainda tem sentimentos por ela? E será que Lara Jean conseguiria seguir em frente com outro alguém?

Família, amadurecimento e novas conexões

A dinâmica familiar continua sendo um dos pontos altos da narrativa. Margot aparece em uma visita rápida e com um novo namorado! Já Kitty continua afiada, divertida e intrometida como sempre (quem não ama?). E o pai das irmãs Covey finalmente começa a demonstrar interesse amoroso por Trina, a vizinha da frente — uma subtrama doce que adiciona um tom de esperança e novos começos.

✔️Pontos positivos:

  •  A escrita da Jenny Han continua fluida, divertida e acolhedora;
  • O dilema amoroso é bem construído e mais maduro do que no primeiro livro;
  • A presença de John Ambrose adiciona um novo frescor ao enredo;
  • A família segue sendo o coração da história — com destaque para as irmãs.

❌ Pontos negativos:

  • Josh, que teve importância no primeiro livro, praticamente desaparece — uma transição que poderia ter sido melhor trabalhada;
  • Em alguns momentos, Lara Jean parece regredir emocionalmente com inseguranças excessivas;
  • O conflito amoroso às vezes se arrasta sem muito aprofundamento.
  • TRIANGULO AMOROSO, detesto.

P.S. Ainda Amo Você é um livro sobre crescimento emocional, inseguranças e o desafio de amadurecer dentro de um relacionamento verdadeiro. Jenny Han acerta ao mostrar que o amor não é apenas sobre o encantamento inicial, mas sobre enfrentar dúvidas, escolhas e aceitar as imperfeições do outro e de si mesma.

Se você gosta de triângulos amorosos que não subestimam o leitor, vai se encantar. E sim: John Ambrose vai dividir corações por aí.

E você, #TeamPeter ou #TeamJohn? Já viveu um momento em que teve que escolher entre o conforto do conhecido e o fascínio do novo? Me conta nos comentários!

28 de ago. de 2020

Resenha: Para todos os garotos que já amei - Jenny Han


Resenha: Para todos os garotos que já amei - Jenny Han

Livro: Para todos os garotos que já amei
Para todos os garotos que já amei - Jenny Han
Trilogia - 1

Avaliação: ★★★☆☆ (3/5)
Classificação: Infanto-juvenil + 12
Gênero: Romance, Ficção, Literatura Estrangeira
Ano: 2015 / Páginas: 320
Editora: Intrínseca 
Possui adaptação cinematográfica: Netflix

Cartas não enviadas, crushes do passado e um namoro de mentira que (é claro) vai dar ruim... ou será que não?

Lara Jean Covey é aquela típica garota que vive à sombra de si mesma. Tem 16 anos, adora organização (só que não), doces coreanos e manter seus sentimentos bem guardados, especialmente os românticos.

Criada entre irmãs, ela vive sob o exemplo da mais velha, Margot, responsável, decidida e agora prestes a começar a faculdade na Escócia. Isso deixa Lara Jean com a missão de cuidar da casa, da irmã mais nova Kitty e de tentar manter tudo sob controle, mesmo que emocionalmente esteja longe disso.

As cartas (que nunca deveriam ter sido lidas)

Lara Jean tem uma forma bem única de lidar com seus sentimentos amorosos: ela escreve cartas de despedida para cada garoto por quem já se apaixonou, cinco no total. Nelas, ela coloca tudo o que sente, como se assim pudesse encerrar aquele capítulo da sua vida. Mas essas cartas eram só para ela. Guardadas. Secretas. Até que...

Elas somem. E são misteriosamente enviadas aos seus destinatários. 

Imagina o caos? No dia seguinte, Peter Kavinsky, um dos "ex-crushes", aparece com a carta em mãos. E logo depois, Josh, o ex-namorado da sua irmã Margot (e também um dos seus antigos amores), também confronta Lara Jean com outra carta. Desesperada para sair de uma conversa constrangedora e complicada com Josh, ela faz o impensável: beija Peter. Do nada. Cena digna de novela.

Namoro fake, sentimentos reais

Para lidar com a confusão que ela mesma (involuntariamente) causou, Lara Jean e Peter decidem fingir que estão namorando: ele quer causar ciúmes na ex, Genevieve; ela quer afastar Josh. O acordo parece perfeito... até os sentimentos verdadeiros começarem a aparecer.

Aos poucos, o que começou como encenação se transforma em algo mais sincero, mais intenso, mais... real. E, claro, essa aproximação vai forçar Lara Jean a encarar tudo o que ela vem evitando: seus próprios sentimentos, inseguranças, e o medo de se machucar.

✔️Pontos positivos:

  • Leitura leve, divertida e envolvente – perfeita para uma maratona de fim de semana;
  • Protagonista carismática e real, com inseguranças e dilemas adolescentes autênticos;
  • Relações familiares muito bem exploradas (as irmãs Covey são um ponto forte!);
  • Clima fofo e nostálgico, com romance adolescente cheio de tropeços e doçura.

❌ Pontos negativos:

  • O romance é previsível, mas ainda assim gostoso de acompanhar;
  • Alguns personagens secundários poderiam ter mais desenvolvimento (Genevieve, por exemplo, tem potencial mal explorado).

Para Todos os Garotos que Já Amei é uma comédia romântica adolescente fofa, divertida e com a medida certa de drama. Ideal para quem busca um romance com coração, personagens carismáticos e lições leves sobre amor, perdão e crescimento pessoal.

Mesmo com uma trama previsível, Jenny Han acerta ao transformar pequenos dilemas adolescentes em momentos de autoconhecimento, tudo isso com muito charme.

E você, já escreveu uma carta de amor que nunca teve coragem de entregar? Ou viveria um namoro fake com o seu crush de infância? Me conta nos comentários!

Filme: Para todos os garotos que já amei

27 de ago. de 2020

Resenha: Cidades de Papel - John Green

 

Resenha: Cidades de Papel - John Green

Cidades de Papel - John Green
Livro único

Avaliação: ★★☆☆☆ (2/5)
Classificação: Infanto-juvenil + 12
Gênero: Romance, Ficção, Literatura Estrangeira
Ano: 2013 / Páginas: 368
Editora: Intrínseca

 Nem tudo que brilha é Margo. Às vezes, é só papel mesmo.

“O que é uma cidade de papel?”

Essa é uma das muitas perguntas que Cidades de Papel levanta — e talvez uma das poucas que realmente vale a pena ser respondida ao final da leitura.

Narrado em primeira pessoa, o livro acompanha Quentin Jacobsen (ou Q), um adolescente no último ano do ensino médio, quieto, observador e... completamente apaixonado por sua vizinha enigmática: Margo Roth Spiegelman. Para ele, Margo é tudo: um mistério a ser desvendado, uma lenda urbana viva, uma garota inalcançável.

Tudo muda quando, numa madrugada qualquer, Margo invade o quarto de Q com o rosto pintado e um plano em mãos. Juntos, embarcam numa espécie de “missão de vingança”, onde ela acerta contas com pessoas que a decepcionaram. A noite é intensa, divertida e cheia de adrenalina.

Mas no dia seguinte... Margo desaparece.

Mistério ou obsessão?

O sumiço de Margo não choca ninguém — ela já havia feito isso antes. Mas dessa vez, Q acredita que ela deixou pistas escondidas especialmente para ele. A partir daí, ele embarca numa investigação pessoal, tentando entender onde ela foi parar — e, principalmente, quem ela é de verdade.

O problema? Nem tudo são enigmas fascinantes.

O enredo que começa como uma possível grande revelação acaba se tornando arrastado. A narrativa se alonga demais, e muitas cenas parecem desconectadas ou repetitivas, o que quebra o ritmo da história.

O que há por trás de Margo?

Margo é carismática, ousada, mas também extremamente idealizada — tanto por Q quanto pela narrativa. Talvez, se o livro fosse narrado por ela, teríamos um olhar mais cru e autêntico sobre sua personalidade complexa. Como leitores, ficamos restritos à visão apaixonada (e muitas vezes iludida) de Q, o que limita nossa compreensão da protagonista.

✅ Pontos positivos:

A escrita fluida e inteligente de John Green, com toques de humor e filosofia adolescente;

As reflexões sobre identidade, imagem pública e o modo como idealizamos as pessoas;

Um início promissor e personagens secundários carismáticos (Radar e Ben são ótimos alívios cômicos).

❌ Pontos negativos:

O desenvolvimento do mistério se arrasta e perde força com o tempo;

Margo é pouco explorada, apesar de ser o centro da trama;

A conclusão pode decepcionar quem esperava um grande clímax ou revelação emocional.

Cidades de Papel fala sobre ver as pessoas como elas realmente são, não como idealizamos. Fala sobre amadurecer, frustrar expectativas e aprender que nem todo enigma precisa ser resolvido e nem toda fuga precisa de um mapa.

Apesar de uma narrativa que começa muito bem, o livro perde ritmo e força no segundo ato. Ainda assim, pode ser uma leitura válida para quem aprecia o estilo único de John Green e está disposto a mergulhar em uma história mais reflexiva do que realmente surpreendente.

E você? Já leu Cidades de Papel? Conseguiu se conectar com Margo ou achou tudo superficial demais? Quero saber o que você achou!

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